Adicione católicos fervorosos, médicos, cozinheiras alopradas, vegetarianos radicalistas e um bando de patrocinadores com produtos de gosto duvidoso e qual será o resultado final?
A revista Vida e Saúde.
Eu consigo resumir todas as edições passadas e todas as futuras (sim, mesmo não sendo vidente) com uma frase: Não importa como você está fazendo e o que você come, está errado.
A primeira parte da revista chama-se sala de espera, lá você é introduzido ao mundo perfeito da vida e saúde, onde computadores funcionam com energia solar, e todo mundo, do editor ao cara do correio são vegetarianos, ou comem apenas peixe. A técnica utilizada para atrair o leitor consiste basicamente na mesma utilizada pela revista Cláudia, só que na nossa querida santidade Vida e Saúde, expressões como: “suas amigas vão ficar vermelhas de inveja” são substituídas por “suas amigas ficarão verdes de inveja”, porque a cor vermelha, assim como pessoas que não possuem dentes enormes e incrivelmente brancos, é desprezada pelos editores, que acredito eu, devem escrever direto de um mosteiro.
Então, após ler (lê-se após sacrificar meu tempo lendo aquilo) uma edição inteira da revista, eu descobri que estou todo errado, como mal, durmo mal, vivo mal, não rezo e não me atrevo a comprar os produtos de extremo mau gosto que eles divulgam.
Os exercícios da parte da revista que poderia ser muito bem chamada: “Dona de casa, pegue o saco de feijão e perda peso” são, quem sabe, a parte mais legal, ou pelo menos a parte mais engraçada daquilo tudo. Afinal, percebemos a dor dos exercícios nos olhos da modelo, mas o seu sorriso é tão real, mas tão real, que é possível acreditar que ela está malhando em um colchonete, enquanto assiste terça insana e come algo saudável
As receitas são um show a parte, coisas que nunca funcionarão na sua casa e que ficam, sem dúvida, bem menos atraentes à mesa.
E no final, quando você acha que tudo está perdido, é possível concluir que tudo está, realmente, perdido, porque para fechar a revista com chave de ouro, temos um comentário/coluna/tempo jogado fora religioso, católico até o talo, aqui eles nem disfarçam, e mesmo correndo o risco de soar intolerante: a quantia de absurdos que escrevem lá chega a ser patética. É impossível associar a ciência a religião daquela forma, mas eles conseguem, merecem palmas.
Eu só vejo aquilo porque não sou eu quem paga a assinatura.
Postado originalmente por Luís em Apelação Pouca é Bobagem!